
um dia disse a um amigo que sou essencialmente um rapaz elitista nos gostos. porém, deliro com uma «boa» história da
Corín Tellado (a minha mãe guardou dezenas de volumes da adolescência), passo horas na
Alibris em demanda de livros rascas de ficção científica dos anos 40 e 50 - e cheguei a comprar a revista
Maria para ler o conto manhoso escrito a metro por uma anónima (arrumado algures entre a programação televisiva e a rubrica
bebé do mês). e tudo isto para quê? para perceber que, lá no fundo, enquanto o meu cérebro se delicia com poesia modernista, o meu coração é literariamente tão reles como a qualidade do papel da
Harlequin.
(won't I?)