d. havia dito, em jeito de mote, que seria claro. mas a clareza tardava em chegar: calado, baixava o olhar e mexia os dedos das mãos, como se procurasse lá em baixo, entre as pedras e o musgo, algo (o quê?) que lhe escapava. lembrou-se então de uma frase que lera num livro anos atrás e da força inaudita com que a sublinhara a roxo - um lápis de cor roxo, como as vestes dos padres:
abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz language only begins at the point where communication is endangered abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yz abc def ghi jkl mno pqr stu vwx yzcomo uma onda vinda de longe que desabasse junto a si naquele instante, d. olhou-o
(olhei-o)
olhou-o
(não foi o d., fui eu)
olhei-o com hesitação, olhos serenos e honestos
(honestos)
e fez -
- fiz aquele balbuciar sem sentido desaparecer num passe de mágica
(puff)
e ainda hesitante pouso a cabeça no teu ombro porque tanto tempo depois percebo
(e estou certo. o d. não tem certezas, mas eu estou certo)
que a linguagem acaba onde tu
(não a liberdade, d.. a liberdade continua. a liberdade é potenciada. só a linguagem.)
a linguagem acaba onde tu começas.
{entre o alvaláxia e o metropolitano, algures entre as 11:30 e as 12:00 do dia 18 de outubro de 2005: páginas 21 a 24 do meu moleskine}