stark major

18.9.05

 

página arrancada da agenda: sábado, 17 de setembro de 2005

[08:57] no montijo, a embarcar para lisboa, com o computador portátil e mantimentos para um dia de estudo em casa da s.

[09:12] leitura atenta do público (depois de ter deitado ao lixo, à entrada do barco, a XIS). que pontaria: logo à noite, na :2, Anna Karenina com a Greta Garbo. damn it: a s. não tem televisão.

[09:23] chegada à capital rumo à universidade. «sim, pode parar mais à frente, não tem importância.»

[10:10] no magnólia do campo pequeno: cappucino e queque de amêndoa. na leitura do dn, descubro que agustina, lobo antunes e houellebecq se preparam para lançar novos romances na rentrée literária.

[10:34] s. sentada à porta de casa. bagagem em casa, pés ao caminho.

[10:52] paragem na barata. livros a rodos. saudades e compra de the economist.

[11:03] sentados no magnólia do cinema londres («este empregado não estava no campo pequeno?»). information overload enquanto passo os olhos pela revista. «será que a culturgest tem net gratuita hoje? queria ir postar umas coisas no blog e enviar um mail ao j.» «no way, jose. só durante a semana.»

[11:32] s. e eu de volta a casa. estudo acompanhado. escrita de tese. close reading do poema «Modern Craft» de Hart Crane, as I bang my head against the walls.

[13:30] almoço. recordação de um jantar há mais de dois anos, na batalha. «sabes, isto é pouco. muito pouco.» respeito o meu regime alimentar.

[14:00] nova ronda de estudo. s. deitada na cama com flannery o'connor (i. e., o volume de correspondência) e eu sentado à secretária em modo /escrita. «perturbado, não. ele [um amigo comum] é mesmo chato. perturbado é um epíteto que reservo às pessoas que são interessantes - e ele não me interessaria ainda que viesse acompanhado da rainha de sabá.»

[17:10] lanche. a manteiga flora magra usada pela s. é intragável e obriga-me a desperdiçar metade do pão-de-leite. ao café: «vamos ao cinema?» entre ciclo de cinema lgbt, um outro no ávila, as propostas da cinemateca e o novo do wes craven, eu ganho.

[17:35] sentados no magnólia do saldanha residence, reparo que consegui o pleno de ir a todos os estabelecimentos magnólia da capital (ou esqueci-me de algum?). os fósforos são cortesia da casa. fumo o primeiro cigarro da semana - davidoff truly sucks, s.

[18:32] Red Eye, de Wes Craven. «as fate would have it, my business is all about you.»

[19:40] «mãe, podes gravar-me a Anna Karenina mais logo, às 23:00?»

[20:10] em casa da s. mesmo em frente, já se notam as primeiras movimentações à porta do passerelle. nova ronda de estudo. dêem-me dois tiros nas pernas, por favor.

[21:40] resolvo telefonar à c. e informá-la do filme de logo à noite. «se não acabaste de ler a Anna K. é melhor não o veres. e não, a versão da isabelle adjani não vale um chavo - exceptuando, claro, o senhor que faz de Vronsky.» a c. está prestes a ir jantar com o l. a um restaurante na ribeira de gaia. abraços ao l. e prometo emprestar-lhes a gravação. our lives depend on you, dearest mom!

[22:30] arroz de marisco ao som da RCP, depois de peripécias diversas. à terceira transmissão da música «Copacabana» do Barry Manilow (At the Copa (CO!) Copacabana / the hottest spot north of Havana (here) / at the Copa (CO!) Copacabana / Music and passion were always the fashion / At the Copa... they fell in love!), ameaça de indigestão. a piedosa s. desliga o rádio e acaba com a carnificina auditiva.

[00:41] off to bed. certifico-me que as janelas e estores se encontram bem fechados; as luzes psicadélicas à entrada do passerelle (incidindo directamente sobre a janela do quarto) tiram o sono de qualquer um. penso na Anna K. em Moscovo. fecho os olhos. daí a nada, estou eu em São Petersburgo.

Comentários:
Vou deixar de comentar o teu blog só para fugir àquelas letras horríveis e absurdas que vêm no fim...:(
Que dia cheio de tanta coisa!!! gostei de ler.
 
nikita:

as letras servem apenas para evitar que aqueles comentários automáticos, cheios de publicidade, me invadam o estaminé. és bem-vinda por aqui! :o)
 
É sempre bom ser bem-vinda...Se às vezes insisto muito contigo para que escrevas é porque gosto de ler o que dizes.:)
 
O Magnolia (sem acento, lamentavelmente) dos Restauradores. Fica para a próxima. Nesse mesmo dia, bati o do Londres e o do Saldanha.
 
O meu preferido é o Magnólia de Londres. Eles têm uma tarte de chocolate (será cheesecake de chocolate?) que é uma explosão de alegria na boca. Também gosto dos jornais e revistas que têm sempre disponíveis.
 
inês:

lembro-me de ver no teu blog, há muito tempo, uma referência ao Magnólia do Campo Pequeno (insisto no acento). confesso que desde então, de cada vez que lá entro, penso inevitavelmente «maybe she's here». e gasto metade do tempo a imaginar-te como uma das pessoas que por lá passam.

(pronto, confessei. é no que dá descobrir que a nossa musa frequenta os mesmos locais que nós.)
 
Ah, não era o do Campo Pequeno, mas o do Residence:

do ridículo
Acabar um blog num lado para lhe dar continuação noutro.

Os próximos tempos são, de certo modo, decisivos. Talvez a minha educação sentimental comece por aqui.

(Por agora, e citando-me, sigo para o Magnolia, onde comerei uma sopa e lerei Kafka. Depois disso, Before Sunset.)

18.10.2004

É verdade que agora frequento muito mais o do Campo Pequeno e o do Londres. Males da equidistância. Andarei atenta.
 
«Musa»? Good Lord!
 
erm. musa, sim - desde os tempos do my moleskine. dou por mim a citar-te no quotidiano, como cito a agustina ou o james.

(e continuo a ir ao Educação Sentimental na esperança que tenhas acabado de regressar. se não o fizeste já... )
 
Credo!

(O ES ficará em off. Se voltar, aviso. Não creio que isso aconteça tão cedo.)
 
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