
no início da tarde de hoje, passou (completamente despercebido) no canal hollywood um dos (muitos) filmes da minha vida. Imitation of Life (1959) de Douglas Sirk, o último por si realizado em solo americano a encerrar uma década afluente e profundamente contraditória. vi-o hoje pela quarta vez; como nas anteriores, fiquei siderado com a interpretação da Susan Kohner («How do you tell a child that she was born to be hurt?»). o genérico inicial, planos e mais planos de me deixar sem respiração (a Sara Jane e a Lora a discutir nas escadas, por exemplo; ou a sequência da Sara Jane a caricaturar uma escrava sulista em pleno cocktail familiar), as superfícies reflectoras (espelhos, vidros, carros, ...), tudo. há filmes perfeitos, sem mácula. e no mundo de Sirk, shiny surfaces depict rotten worlds.
Adenda: Stephen Handzo em
Intimations of Lifelessness: Sirk's Ironic Tearjerker,
aqui: «
Sara Jane wants something that even Mildred Pierce's money couldn't buy: white skin.»