gosto destes fins de tarde amenos de agosto, a pouco e pouco mais frescos, e destes cacilheiros, desertos de passageiros, que me trazem de volta à outra margem outra. gosto desta energia imparável nas artérias, que me faz acreditar, todos os agostos, ano após ano, «
agora é que é»: acabo a tese de mestrado, mudo de emprego - mudo - encontro-te numa lata vazia num passeio da capital (cego?). gosto sobretudo de me rebolar neste «
gosto» e enrolá-lo na língua, tarde após tarde, com uma esperança (sempre gorada) que parece não querer acabar; uma pastilha elástica que, a trinta e um de dezembro e enquanto tomo balanço para o ano seguinte, terá já perdido todo o sabor.
[hoje, no regresso a casa. página dois do meu moleskine.]