
obra-prima? não, longe disso. ainda que não seja um realizador que aprecie particularmente, spielberg realizou dois dos meus filmes favoritos: jaws (o qual já devo ter visto umas 120 vezes, and counting) e minority report. ainda assim war of the worlds, na sua filosofia «série-b-com-um-orçamento-milionário», acerta mais vezes do que erra: o look retro, as interpretações (fortíssimas) do trio central, toda a sequência da aparição do primeiro tripod, a paranóia servida em doses industriais (a lembrar a melhor SF dos anos 50). alguns momentos de flagrante leitura política fizeram-me torcer o nariz (é o caso da deixa de Robbie questionando-se se os invasores viriam da Europa; os cartazes com fotos de desaparecidos, a lembrar de modo rude o 9/11; ou a chuva de roupas do céu, quais detritos a cair das Torres). ainda assim, a actualização da obra de Wells prova que esse medo vitoriano chamado invasão (de marcianos, vampiros ou indígenas) não esmoreceu. we just call them a different name now.