tinha vinte e cinco anos quando tiago lhe disse pela primeira vez amo-te.
era um amo-te com uma cadência vívida e diferente dos amo-tes que havia ouvido até então. começava por sussurrar um a ao ouvido de jaime como se lambesse um osso; contudo, articulava tudo o resto com uma sugestão timidamente erótica. era um amo-te que dizia tanto onde estiveste quanto dá-me o teu corpo. mas tiago não precisava sequer de percorrer a palavra até ao fim: enquanto torneava o o, já jaime lhe oferecia o pescoço ao punhal da língua.
mas só agora, vários anos mais tarde, depois de obrigar tiago a repetir aquele amo-te numa infinitude de tons e formas - agora, à janela da mesma sala onde ainda ressoavam os amo-tes ditos e gemidos em catadupa - agora, neste instante, reparou que o único amo-te que nunca tinha ouvido da boca de tiago - articulado pela mesma língua que lhe lambia as orelhas como um osso - era o amo-te na sua declinação mais simples - o amo-te que dizia só, e isso bastava, só amo-te.