stark major

29.6.05

 

escrevo isto tendo terminado, há instantes, a terceira série do 24. ainda que toda a gente saiba que sou um dos seus seguidores fiéis desde o primeiro minuto, sou frequentemente confrontado com o facto de 24 ser um produto televisivo de menoríssima qualidade. admito algumas falhas do dispositivo narrativo, a implausibilidade de algumas das soluções, os desequilíbrios entre as várias tramas (exemplar a intriga da Kim, na segunda série). admito tudo isso, lembrando que dos mesmos pecados sofrem os restantes produtos televisivos sem que recebam metade dos insultos dirigidos a 24.

a tudo isso responderia com os últimos quatro minutos deste episódio. depois de vinte e quatro horas vividas a contra-relógio, naquela que foi, creio, a mais ambiciosa das três séries - Jack Bauer sozinho no jipe, em silêncio. poucas séries do género lembrariam de modo tão dramático os altíssimos custos pessoais de se ser herói. pois bem: 24 fê-lo - e fê-lo de uma forma surpreendentemente dolorosa (para os derradeiros instantes de um último episódio). se a ficção televisiva - 24 incluído - é tradicionalmente escapista, Jack Bauer fecha o ciclo contra a corrente, subitamente confrontando o espectador com o lado humano de uma personagem bastas vezes sobrehumana.

(e que outra série conseguiria eliminar quatro protagonistas and getting away with it?)

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